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Description

Revisitando as origens malgaxes * Gwyn Campbell

Há muito tempo a origem dos malgaxes intriga os investigadores e,

apesar da volumosa pesquisa multidisciplinar realizada nos últimos anos,

a questão permanece como um enigma.

O autor examina as diferentes interpretações sobre a migração para Madagáscar,

em particular as propostas que defendem a presença africana,

associada ou não à indonésia,

e as que privilegiam a sul-asiática.

O artigo analisa ainda as motivações e as rotas utilizadas pelos protomalgaxes para chegar a Madagáscar.

Palavras-chaves: Madagáscar- migração- colonização Malagasy Origins Revisited Despite voluminous scholarship involved,

scholars have long grappled with the issues of the unknown origin of the Malagasy people.

The author examines several hypothesis on migration,

particularly those that focus on the African presence in Madagascar – either by themselves or in conjunction with people from Indonesia – and those that argue that South Asians have colonized the island.

The article also analyzes the impulses behind the migration and the routes that the Proto-Malagasy have used to reach Madagascar.

Key words: Madagascar- migration- colonization Les origines malgaches revisitées Depuis longtemps,

la question de l’origine du peuple malgache reste sans réponse,

en dépit de multiples recherches.

Le texte considère les différentes interprétations élaborées sur la migration et le peuplement de Madagascar,

Artigo recebido em outubro de 2005 e aprovado para publicação em dezembro de 2005.

Comunicação apresentada na Conferência Internacional “Monsoons and Migrations: Unleashing Dhow Synergies”,

realizada durante o oitavo ZIFF,

Festival dos Dhow Countries,

nos dias 4-6 de julho de 2005.

Montreal,

Canadá.

Gwyn Campbell

Dossiê

hypothèses d’une origine africaine

L’auteur étudie également les causes des migrations et les routes prises par les proto-malgaches pour arriver à Madagascar.

Mots-clés: Madagascar – migration

Introdução Um dos últimos grandes mistérios da história que ainda hoje persistem é a origem da moderna população da ilha de Madagáscar,

motivo pelo qual abundam especulações e teorias sobre o tema.

Historiadores,

paleobotânicos e geneticistas têm-se debruçado sobre o assunto com o intuito de solucionar ou,

contribuir para sua solução.

Imitando a expedição KonTiki****,

aventureiros reproduziram antigos modelos de canoas e navegaram pelo Oceano Índico e para mais longe,

Este artigo reexamina estas questões e apresenta o estado atual do debate sobre o tema.

A terra natal dos protomalgaxes Madagáscar foi avistada por marinheiros portugueses em 1500 e recebeu a primeira visita intencional em 1506.

Desde então,

os europeus começaram a especular sobre a origem da população desta ilha.

Nessa época,

excluídos os suaílis (ou swahili) e os indianos (conhecidos como karana),

eram poucas as comunidades que participavam das rotas do comércio internacional.

Segundo os investigadores,

os suaílis chegaram a Madagáscar oriundos da costa leste do continente africano e da Arábia,

já os indianos vieram da região de Gujarat,

Além destes dois grupos,

havia também um pequeno grupo malgaxe,

assimilado à cultura árabe (chamado de antalaotra) que se mantinha próximo aos suaílis.

Assim,

parecia existirem em Madagáscar dois grupos étnicos ****

Nota do editor: A expedição Kon-Tiki foi realizada pelo navegador escandinavo Thor Heyerdahl,

em 1947 e percorreu 8 mil Km pelo Pacífico até a Polinésia,

numa embarcação similar às utilizadas no Império Inca.

Paul Ottino,

“The Malagasy Andriambahoaka and the Indonesian Leagacy”,

History in Africa,

1982,

221-222.

Revisitando o debate sobre as origens dos Malgaxes em Madagáscar

básicos: um de pele mais clara e com características físicas de malaios,

habitando as planícies da ilha.

A Escola Britânica Havia pouca especulação quanto às origens dos malgaxes antes do século XIX.

Foi nesta época que,

com o estabelecimento da Escola Britânica – que reunia missionários e membros das sociedades eruditas estabelecidas em Londres – se estimulou o interesse pelo tema2.

Estes investigadores chegaram à conclusão de que todos os habitantes de Madagáscar falavam variações de uma língua de origem australásia,

então classificada como malaia ou malaio-polinésia,

o que indicava uma inevitável ligação entre os antepassados dos malgaxes contemporâneos e a região chamada malaio-polinésia.

Baseados em fundamentos fisiológicos e culturais – como a clara pigmentação da pele e características físicas reconhecidas como malaias,

a construção de cabanas retangulares e o uso da técnica de rizicultura irrigada – os estudiosos associados à Escola Britânica concluíram que os ancestrais dos merinas e possivelmente dos betsileos,

que ocupavam as terras montanhosas de Madagáscar,

Entretanto,

a origem das populações que habitavam a área de planície,

e tinham uma aparência dita “negróide”,

já que também eles falavam variações da mesma língua australásia.

Esperava-se que as tradições indígenas ajudassem a elucidar o mistério da origem dos protomalgaxes,

mas os únicos grupos que possuíam uma idéia clara de suas origens eram os suaílis,

os indianos e os zafiraminia da costa sudeste,

que reivindicavam terem seus ancestrais vindo de Meca,

As tradições das demais comunidades malgaxes eram vagas,

indicando apenas que seus antepassados longínquos migraram para Madagáscar de algum lugar do ultramar.

Ao mesmo tempo,

o nome Madagáscar oferecia poucas indicações sobre os primeiros habitantes.

Tradicionalmente,

Ver C.

Staniland Wake,

“Notes on the Origin of the Malagasy”,

Journal of the Anthropological Institute of Great Britain and Ireland,

1882,

21-33

“Theories concerning the Origins of the Malagasy”,

Marc Michel e Yvan Paillard (eds.),

Australes,

Paris,

1996,

127-153.

The History of Civilisation in North Madagascar,

Rotterdam/Boston,

A.A.Balkema,

1986,

Gwyn Campbell

Dossiê

a ilha era designada Izao rehetra izao (que quer dizer “este conjunto”,

conforme o conceito malgaxe de que a ilha é o centro do universo

ou ainda Nosin-dambo (Ilha dos Javalis) e,

durante o período de Radama I,

Ny anivon’ny riaka (Terra no Centro da Inundação),

Em vários textos árabes,

a ilha era designada como Kamar ou Komr (Ilha da Lua) ou Bukini

localizado próximo a Madagáscar,

era denominado Komair (Pequeno Komr)5.

O explorador inglês Richard Burton acreditava ser o nome Madagáscar uma derivação de Mogadíscio,

nome adotado depois que o sheik daquela cidade invadiu a ilha6.

As tradições merinas acabaram por complicar mais o quadro das populações encontradas em Madagáscar.

Os merinas reivindicam que seus ancestrais fizeram parte de um dos últimos grupos de imigrantes que chegaram a Madagáscar,

em conseqüência de um naufrágio7 nas costas da ilha,

em princípios do século XVI8.

Devido à hostilidade da população local e à existência de doenças na região costeira,

os protomerinas rapidamente exploraram os caminhos que levavam ao planalto central,

uma população da idade da pedra,

formada por caçadores-coletores,

e que falavam uma língua desconhecida.

Como dominavam a tecnologia do ferro,

rapidamente conquistaram os vazimba,

que fugiram em direção a oeste ou foram assimilados por seus conquistadores.

Membros da Escola Britânica assumiram,

que os vazimba eram um grupo indígena de Madagáscar ou parte dos primeiros imigrantes africanos,

possivelmente ligados aos vazimba do leste do continente africano ou ao grupo khoi.

Influências das culturas africanas,

também estavam difundidas entre a população de pele mais escura que habitava as planícies das regiões a oeste de Madagáscar,

Entretanto,

como as populações que ocupavam as planícies falavam dialetos da 4 James Sibree,

Part 1”,

Antananarivo Annual and Madagascar Magazine,

1896,

5 Vérin,

The History of Civilisation...,

Sibree,

Part 1”,

6 John H.

Voyage to the East Indies I,

Londres,

Haklut Society,

1885,

Entre 1507 e 1528,

pelo menos cinco naufrágios de navios portugueses ocorreram próximos à ilha,

quase todos na costa sudoeste.

Ver A.

Grandidier et.

“Republication of all known accounts of Madagascar”,

Antananarivo Annual and Madagascar Magazine,

1898,

234-5.

8 Ottino,

“The Malagasy Andriambahoaka...”,

221-2.

Revisitando o debate sobre as origens dos Malgaxes em Madagáscar

mesma língua do grupo merina,

isto indicava que seus antepassados vieram da Australásia e poderiam ter realizado casamentos exogâmicos com africanos,

depois de sua chegada à ilha.

A Escola Grandidier O domínio da Escola Britânica durou até 1895,

com o controle francês sobre Madagáscar,

baseada na interpretação de Alfred Grandidier e seu filho,

Guillaume Grandidier.

Pesquisadores incansáveis,

os Grandidiers levantaram a hipótese de que Madagáscar poderia ter sido visitada,

e que seria possível ter havido também uma subseqüente colonização judaica em Nosy Boraha (Santa Maria),

Quanto à questão-chave sobre as origens dos habitantes de Madagáscar,

os Grandidiers estavam convencidos de que haviam encontrado a solução do problema.

Levando em consideração a extensão geográfica da ilha,

com pequenas variações dialetais,

toda a sua população falava a mesma língua (fenômeno sem precedente no continente africano),

os Grandidiers argumentaram que os antepassados dos malgaxes eram australásios

os ancestrais dos habitantes das terras montanhosas,

e os que habitavam as planícies e que tinham a pele mais escura eram melanésios,

chamados “negros melanésios”11.

Possuidores,

de excelentes conhecimentos de navegação,

capacidade de construção de embarcações marítimas e movidos de espírito aventureiro,

estes grupos teriam navegado pelo Pacífico,

colonizando diversas ilhas e chegando até a Ilha da Páscoa.

Assim como navegaram para leste,

percorrendo 4.800 quilômetros através do Oceano Índico até alcançarem Madagáscar,

colonizada graças a uma série de ondas migratórias que tiveram início aproximadamente em 1500 9

Alfred Grandidier,

Histoire de la Découverte de l’Ile de Madagascar par les Portugais pendant le XVIe siècle,

Paris,

Lamy,

1902,

Uma moeda cunhada de Constantine (274-337 E.C.) foi encontrada em Mahajanga,

porém a data ainda não foi confirmada.

Vérin,

The History of Civilisation...,

26 e 28.

10 Vérin,

The History of Civilisation...,

Histoire physique,

naturelle et politique de Madagascar IV,

Paris,

Imprimerie Nationales,

Guillaume Grandidier,

Geographical Review,

1920,

197-222.

Gwyn Campbell

Dossiê

A.E.C.

e continuaram até a chegada dos protomerinas12.

Esta provável trajetória mostrou-se possível em agosto de 1883,

quando correntes equatoriais trouxeram até a costa leste de Madagáscar pedras-pomes lançadas pelo vulcão Krakatoa,

três meses depois de sua erupção13.

A teoria dos Grandidiers também recebeu o apoio de estudos que demonstraram a difusão de pirogas,

ou canoas com um flutuador paralelo,

revelando um padrão de difusão em direção oeste: da Indonésia à costa do Sri-Lanka,

para então seguir até o sudeste da Índia e Madagáscar.

Entretanto,

a difusão das embarcações teve alcance limitado no continente africano

somente uma estreita faixa da costa da África Oriental,

em frente à região noroeste de Madagáscar,

parece ter sido exposta à embarcação14.

Alfred e Guillaume Grandidier demonstraram que os africanos orientais,

não possuíam os conhecimentos necessários para navegar além das águas costeiras e,

caso tivessem tentado cruzar o canal de Moçambique (aproximadamente 300 quilômetros nas áreas mais estreitas),

incluindo as perigosas correntes e as freqüentes rajadas de vento15 que provocaram inúmeros acidentes e a morte de hábeis marinheiros europeus16.

Assim,

a população de Madagáscar de descendência genuinamente africana era um produto de tempos posteriores,

predominantemente do século XIX e do comércio de escravos17.

Grandidier,

Histoire physique...,

Yu M.

Kobishchanow,

“On the Problem of Sea Voyages of Ancient Africans in the Indian Ocean”,

Journal of African History,

1965,

A Naturalist in Madagascar.

A Record of Observation Experiences and Impressions made during a period of over Fifty Years’ Intimate Association with the Natives and Study of the Animal & Vegetable Life of the Island,

Londres,

Seeley,

1915,

38-39.

Water Transport.

Origin and Early Evolution,

Cambridge,

Cambridge University Press,

Haddon,

“The Outriggers of Indonesian Canoes”,

Journal of the Royal Anthropological Institute of Great Britain and Ireland,

1920,

78-79

Michael Mollat,

“Les relations de l’Afrique de l’est avec l’Asie: essaie de position de quelques problèmes historiques”,

Cahiers d’Historique Mondiale,

1971,

James de Vere Allen,

Swahili Origins.

Swahili Culture and the Shungwaya Phenomenon,

Londres,

James Currey,

1993,

67-68.

15 A.

Grandidier,

Histoire Physique...,

perderam uma esquadra de quatro navios e,

dois dos cinco navios naufragados na costa sudoeste.

Alfred Grandidier,

Histoire de la Découverte...,

11 e 15

ver também Maria Emília Madeira Santos,

Viagens de Exploração Terrestre dos Portugueses em África,

Lisboa,

Centro de Estudos de História e Cartografia Antiga,

1988,

93-94.

Revisitando o debate sobre as origens dos Malgaxes em Madagáscar

A teoria dos Grandidier ganhou imediatamente o apoio do governo francês,

interessado em distanciar Madagáscar do resto do continente africano e das áreas do sul e do leste da África,

que estavam sob controle formal ou informal britânico (incluindo a África oriental portuguesa).

A única exceção deste vasto território era a Somália,

que se encontrava sob domínio francês.

Deste momento em diante,

Madagáscar passou a ser classificada pelos franceses,

ao lado de suas possessões do Pacífico,

e não em conjunto com a África continental,

classificação aceita pelos britânicos que,

excluíram a ilha do campo de estudos africanos.

A teoria dos Grandidier também favorecia os merinas,

pois justificava o arraigado racismo contra os africanos e seus descendentes,

e fundamentava sua classificação como mainty,

como pessoas essencialmente impuras e servis,

sem direito a reivindicar a verdadeira ascendência malgaxe.

A maior parte dos acadêmicos recebeu positivamente as afirmações do missionário e lingüista Otto Christian Dahl,

quando ele reforçou a teoria dos Grandidier,

apontando grande afinidade entre a língua malgaxe e a manyaan,

como um indicador da exata origem dos protomalgaxes.

Baseado na ausência de influência do sânscrito na língua malgaxe,

Dahl afirmou que os protomalgaxes abandonaram suas terras antes da chamada “indianização” que alcançou a Indonésia aproximadamente em 400 E.C.

Num estudo detalhado sobre a expansão da influência indiana na Indonésia,

Van Leur argumentou que os protomalgaxes devem ter saído da Indonésia antes de 41 E.C.19.

Por sua vez,

Wolfgang Marshall argumentou ser a língua malgaxe muito próxima da língua franca indonésio-malaia,

falada nos primeiros séculos da era comum20.

Já J.

Innes Miller contribuiu com a teoria de Grandidier,

de que as primeiras imigrações aconteceram aproximadamente em 1500 A.E.C.,

quando o poderio marítimo do reino indiano de Kalinga estava no seu apogeu21.

Para 17

Grandidier,

Histoire Physique...,

Otto Christian Dahl,

Malgache et Maanjan.

Une comparaison linguistique,

Oslo,

Egede-Instituttet,

1951.

19 J.C.

Indonesian Trade and Society,

The Hague: W.

Vand Hoeve,

1955,

99100.

“Indonesia and Northwest Madagascar”,

Omaly sy Anio,

17-20,

198384,

21 J.

Innes Miller,

The Spice Trade...,

Gwyn Campbell

Dossiê

os antalaotras zatiraminia do sudeste de Madagáscar,

que reivindicavam ser oriundos da Arábia,

Paul Ottino primeiramente chegou a propor uma origem de Mangalore (Índia)

atribuiu-lhes uma origem malaiosumatra22.

A Escola Africana Teorias a respeito de uma emigração de africanos para Madagáscar tiveram início com a Escola Britânica,

arabista contemporâneo de Alfred Grandidier,

o primeiro a propor a idéia de que Madagáscar havia sido colonizada por uma maioria predominante de africanos ou por uma combinação de indonésios e africanos.

Ferrand argumentou que a migração dos protomalgaxes para o oeste da ilha foi o resultado do envolvimento dos indonésios no comércio marítimo de longa distância,

especialmente durante o apogeu do império comercial de Srivijaya,

Sumatra,

entre os séculos VII e XII da era comum.

Ferrand estimou que as colônias comerciais indonésias surgiram neste período,

na costa leste do continente africano,

originárias de um grupo protomalgaxe que havia migrado para Madagáscar.

A chamada Tese Africana,

que argumenta a migração do continente para a ilha,

permaneceu negligenciada até 1959,

quando George Murdock propôs uma nova hipótese.

Segundo sua análise,

imigrantes indonésios introduziram plantas e técnicas de cultivo oriundas diretamente do sudeste asiático na África Ocidental e Oriental.

Os gêneros agrícolas mais significativos foram a banana,

o inhame e o taro (Colocasia antiquorum),

que se espalharam ao longo do continente africano até a zona de floresta da África ocidental,

contribuíram de forma fundamental para o início da expansão banto para o nordeste da floresta equatorial23.

Em 1962,

Roland Olivier sugeriu uma correção à teoria de Murdock,

ao propor que os bantos encontraram as plantas e as sementes de origem indonésia no decorrer da sua migração do norte para o sul da floresta equatorial24.

Ottino inicialmente propôs uma origem mangalores para os zatiraminia.

Ottino,

“The Malagasy Andriambahoaka...”,

222-223,

Africa: its peoples and their culture history,

Nova Iorque,

McGraw-Hill,

“The Bantu Expansion and the SOAS Network”,

History in Africa,

1988,

284 e 291.

24 Oliver,

Revisitando o debate sobre as origens dos Malgaxes em Madagáscar

O Debate Atual Desde a década de 1970,

variações da Tese Africana ganharam apoio crescente dos historiadores de Madagáscar.

Raymond Kent (1972) defendeu que os indonésios fundaram o Grande Zimbabue antes de escaparem dos bantos e cruzarem o canal de Moçambique para estabelecerem a dinastia Menabe Sakalava,

inaugurando o modelo para os reinos de Boina Sakala e Merina.

Outros,

defenderam que os protomalgaxes chegaram a Madagáscar cruzando as ilhas Comores,

numa versão revista de sua teoria das origens indonésias,

Otto Dahl estimou que os protomalgaxes participaram da formação do já mencionado império comercial Srivijaya e emigraram,

primeiro de Kalimantan (Bornéu) para Sumatra (Ilha Bangka),

de Sumatra em direção a oeste,

aproximadamente no século VII25.

Além disto,

investigações de geneticistas indicaram que todos os malgaxes possuíam características de indonésios e africanos (bantos),

que houve mistura entre eles em alguma etapa antiga da história dos dois grupos26.

Diferentemente da posição assumida pelos historiadores de Madagáscar,

a maioria dos estudiosos anglófonos da África oriental e austral se mostraram francamente favoráveis a uma posição denominada “afrocêntrica”,

atitude que diminuía a importância das forças externas e valorizava o dinamismo das comunidades africanas bantos,

em especial os cuxitas e os que efetivamente falavam línguas banto.

O resultado desta discussão foi que se perpetuou a exclusão de Madagáscar da área de estudos africanos27 e se minimizou o impacto da influência indonésia na África.

Ao 25

Otto Christian Dahl,

Migration from Kalimantan to Madagascar,

Oslo,

Norwegian University Press,

1991.

26 R.

Hewitt et.

“ß-Globin Haplotype Analysis Suggests that a Major Source of Malagasy Ancestry is Derived from Bantu-Speaking Negroids”,

American Journal of Human Genetics,

1996,

1303-1308

Idem,

“The Origins and Demography of Slaves in Nineteenth Century Madagascar: A Chapter in the History of the African Ancestry of the Malagasy” François Rajaison (ed.),

Fanandevozana ou esclavage,

Antananarivo,

Musée d’Art et d’Archéologie de l’Université d’Antananarivo,

1996,

5-38.

The Swahili Coast,

India,

and Portugal in the Early Modern Era,

Baltimore e Londres: The Johns Hopkins University Press,

1998,

e deu pouca atenção no The Indian Ocean,

Londres e Nova Iorque,

Routledge,

Barendse considera que Madagáscar estava mais próxima do oceano Índico que da África.

Barendse,

The Arabian Seas.

The Indian Ocean World of the Seventeenth Century,

Armonk,

Nova Iorque e Londres,

England,

2002,

Gwyn Campbell

Dossiê

adiantar a data da primeira leva da imigração banto para aproximadamente 3000 A.E.C.,

os acadêmicos rejeitaram a possibilidade de qualquer presença indonésia na África em época tão remota.

De fato,

a ortodoxia recente afirma que as comunidades lingüísticas banto eram constituídas de populações agrícolas altamente empreendedoras,

possivelmente os componentes centrais do que Christopher Ehret identifica como “uma era clássica africana”,

que durou mais de dois mil anos,

Ao chegarem à África central e centro-oeste,

em aproximadamente 1000 A.E.C.,

os bantos adotaram e adaptaram as técnicas de pecuária dos vizinhos localizados a nordeste,

assim como possivelmente também os grãos,

também desenvolveram ou adotaram a tecnologia do ferro em torno de ou anteriormente a 500 A.E.C.31.

Os imigrantes bantos expandiram a base de sua economia e,

com a utilização de utensílios de ferro,

intensificaram a produção agrícola através de técnicas como o desmatamento da floresta para preparar o solo para o cultivo32.

Utilizando uma economia mista,

os grupos bantos chegaram ao Oceano Índico aproximadamente no início do primeiro milênio da era comum,

depois de uma rápida expansão nas direções leste e sul,

onde as técnicas de cultivo de sorgo foram introduzidas e alcançaram a região ao norte de Natal (África do Sul),

aproximadamente em 250 E.C.33.

A existência de várias espécies sul-asiáticas,

a banana e o taro (um outro tipo de inhame cultivado,

também da espécie colocasia esculenta) que chegaram à costa leste do conti28 Christopher Ehret,

An African Classical Age.

Eastern and Southern Africa in World History,

1000 B.C.

Charlottesville e Oxford,

University Press of Virginia & James Currey,

1998.

The Swahili.

Reconstructing the History and Language of an African Society,

800-1500,

Philadelphia,

University of Philadelphia Press,

1985,

32-33.

Curtin,

“Africa and Global Patterns of Migration”,

Wang Gungwu (ed.),

Global History and Migrations,

Boulder,

Westview Press,

1997,

“A New Look at Interpretations of the Early Iron Age in East Africa”,

History in Africa vol.

1975,

Gadi G.Y.Mgomezulu,

“Recent Archeological Research and Radiocarbon dates from Eastern Africa”,

Journal of African History,

1981,

Colin Flight,

“Climatic Change and the Rise of Political Complexity in Western Uganda”,

Journal of African History,

2000,

33 Curtin,

“Africa and Global Patterns...”,

Ehret,

An African Classical Age...,

Revisitando o debate sobre as origens dos Malgaxes em Madagáscar

nente africano entre os séculos I e III E.C.,

permitiu alguns botânicos e lingüistas defenderem a existência de influência indonésia na África Oriental34,

assim como na língua kaskazi,

falada na costa suaíli (Tanzânia/Quênia)35.

Contudo,

a maioria dos acadêmicos que defendiam a Tese Africana – chamados “afrocêntricos” – aponta para uma total ausência de evidência arqueológica que comprove a presença de indonésios na África Oriental.

Se tivessem sido os primeiros a chegar,

certamente teriam utilizado seus conhecimentos agrícolas e a tecnologia do ferro para colonizar a região,

o que não parece ter ocorrido.36 Assim,

Blaut descartou o argumento de uma contribuição sul-asiática para o desenvolvimento da agricultura na África e para a expansão banto como,

Mais apropriadamente,

os acadêmicos defensores da Tese Africana consideram provável que elementos da complexa agricultura sul-asiática tenham chegado à costa leste do continente africano através de dispersão natural,

acompanhando as correntes oceânicas.

Os cocos,

podem boiar em água salgada por quatro meses sem se deteriorar e,

com a corrente marítima favorável,

ter percorrido as 3.000 milhas que separam as duas costas38.

Outra possibilidade é que estas culturas tenham sido introduzidas no continente africano pelos comerciantes árabes ou indianos,

cuja presença é comprovada a partir do primeiro século da era comum39.

Somente a partir deste momento os grãos sul-asiáticos começaram a chegar à costa leste da 34

Clive Ponting,

A Green History of the World,

Londres,

Penguin,

1993,

M.D.Gwynne,

“The Origin and Spread of Some Domestic Food Plants of Eastern Africa”,

Chittick & R.I.

Rotberg (eds.),

East Africa and the Orient: cultural synthesis in pre-colonial times,

Nova Iorque,

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